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Pesquisadores transformam farelo de trigo em INGREDIENTE FUNCIONAL de alta performance

Pesquisadores transformam farelo de trigo em INGREDIENTE FUNCIONAL de alta performance

Cientistas do KTH Royal Institute of Technology, na Suécia, desenvolveram um método biotecnológico inovador para converter o farelo de trigo — um subprodutomajoritário da moagem de cereais — em hidrogeis de base vegetal. O estudo, publicado este mês na revista Food Hydrocolloids, apresenta uma solução para a valorização de milhões de toneladas de fluxos laterais agrícolas, transformando fibras subutilizadas em agentes estruturantes para a indústria de alimentos.

Historicamente, o uso do farelo de trigo em formulações humanas foi limitado por sua textura grosseira e fibrosa. A equipe do centro de pesquisas PLENTY, liderada pelo professor Francisco Vilaplana, superou esse obstáculo técnico ao extrair o arabinoxilano (AX), uma fibra natural do farelo, e combiná-lo com proteínas derivadas do próprio trigo.

O processo de gelificação utiliza a enzima laccase para promover a reticulação (cross-linking) das moléculas de fibra, criando uma rede estável que encapsula a proteína em sua estrutura. O resultado é um ingrediente funcional que oferece:

  • Melhoria de textura: substitui a sensação bucal áspera por uma estrutura macia e gelatinosa (soft mouthfeel).
  • Estabilidade estrutural: ao contrário de muitas proteínas vegetais que formam géis quebradiços, a rede de fibras estabiliza a matriz proteica, conferindo viscosidade e corpo ao produto final.
  • Densidade nutricional: combina fibras dietéticas e proteínas em um único sistema funcional.

A versatilidade desses hidrogeis abre um leque de aplicações estratégicas para fabricantes que buscam rótulos mais limpos (clean label) e maior funcionalidade em matrizes plant-based:

  1. Análogos de carne e laticínios: melhora a retenção de água e a suculência.
  2. Snacks e molhos: atua como espessante natural e enriquecedor de fibras.
  3. Nutrição especializada: potencial de uso em alimentos esportivos e dietas médicas que exigem texturas controladas e alto valor nutricional.

O pesquisador Niklas Wahlström, responsável pelo estudo financiado pela Lantmännen Research Foundation, indicou que a metodologia já está sendo testada com sucesso em outras fontes proteicas, como ervilha e soja, sugerindo uma plataforma tecnológica escalável para diversos coprodutos agrícolas.

Créditos foto: Freepik