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Índice avalia soberania proteica: só o Canadá é "soberano", enquanto o Brasil é "resiliente"

Índice avalia soberania proteica: só o Canadá é "soberano", enquanto o Brasil é "resiliente"

Um novo Protein Sovereignty Index (Índice de Soberania Proteica) classificou a resiliência do suprimento de proteína de 43 países e concluiu que apenas o Canadá pode ser considerado plenamente "soberano". O índice foi divulgado em 16 de outubro, Dia Mundial da Alimentação, e tem autoria de Felix Collins, fundador da empresa tailandesa Full Circle Biotechnology.

O índice define soberania proteica como a capacidade de uma população manter acesso acessível a proteína suficiente para suas necessidades nutricionais, mesmo diante de interrupções na produção, no comércio ou em insumos críticos. Pesquisadores da Chatham House, do IFPRI, do ODI, da StoneX e da Universidade de Stirling revisaram o índice e sua metodologia nas 43 avaliações nacionais.

Como os países foram classificados

O Canadá é o único classificado como "soberano". Na categoria "resiliente" estão Argentina, Estados Unidos, Austrália, Rússia, Brasil, Nova Zelândia e Noruega. Como "expostos" aparecem Reino Unido, Chile, Índia, África do Sul, Vietnã, Peru, China e Indonésia. Coreia do Sul, Japão e Egito foram classificados como "dependentes". Os países do Golfo foram enquadrados como "criticamente expostos", apesar da riqueza, por disporem de pouca terra e água para a agricultura.

Dados destacados

Segundo o índice, o mundo produz proteína suficiente, mas a dependência de poucos exportadores, rotas marítimas e insumos importados torna as cadeias vulneráveis. Entre os números citados:

  • Brasil e Estados Unidos respondem por cerca de 85% das exportações mundiais de soja.
  • Uma corrente oceânica entre Chile e Peru sustenta aproximadamente metade da oferta mundial de farinha de peixe.
  • A China comprou volume recorde de 111,8 milhões de toneladas de soja em 2025, mais de 90% do Brasil ou dos Estados Unidos.
  • A União Europeia compra quase todo o farelo de soja de fora do bloco.
  • O Canadá extrai quase um terço do potássio do mundo.
  • A Índia é a maior produtora de leite do mundo, mas importa 68,6% de seus fertilizantes em valor.
  • O Japão produz internamente 98% dos ovos que consome; se forem contados apenas ovos de galinhas alimentadas com ração cultivada no país, o índice cai para 12%.
  • O preço da ureia na Austrália subiu mais de 70%.
  • O aquecimento das águas no Peru, associado ao El Niño em fortalecimento, levou os preços da farinha de peixe a níveis recordes.

Riscos listados

O documento cita ataques cibernéticos, como o ataque de ransomware de 2021 à JBS, que paralisou temporariamente um dos maiores processadores de carne do mundo; doenças animais, como a gripe aviária; conflitos, como a guerra entre Ucrânia e Rússia, que afetou embarques no mar Negro; choques de fertilizantes e de produção agrícola, associados ao fechamento do Estreito de Ormuz; e controles de exportação, como os aplicados pela China ao fosfato.