Índice de preços da FAO sobe em setembro e vai ao maior nível desde 2022
O Índice de Preços de Alimentos da FAO atingiu 136,0 pontos em setembro, alta de 1,5% sobre o mês anterior. É o nível mais elevado desde novembro de 2022. Em relação a setembro de 2025, o avanço é de 5,8%, e o indicador segue 15,1% abaixo do pico registrado em março de 2022.
A alta foi puxada principalmente por açúcar e cereais, matérias-primas com peso direto na cadeia de ingredientes para alimentos e bebidas.
Açúcar
O subíndice de açúcar subiu 6,1% no mês e chegou a 114 pontos, o maior valor desde abril de 2025. A FAO cita como fatores as perspectivas de oferta internacional mais apertada para o ciclo 2026/27, restrições à produção na Tailândia, chuvas abaixo do normal na Índia, chuvas intensas no Brasil e áreas menores de plantio de beterraba açucareira na União Europeia.
Cereais
O índice de cereais avançou 5,1% e foi a 122,8 pontos, com alta anual de 17,2%. O trigo subiu 6,3%, atingindo o maior nível desde agosto de 2023, por causa de solos secos na América do Norte e de gargalos de transporte no Mar Negro.
O milho teve alta de 5,6%. A FAO aponta preocupações com a produtividade nos Estados Unidos, exportações brasileiras menores, interrupções no Mar Negro e problemas de navegação no Estreito de Ormuz. O arroz subiu 1,4%, com pressão climática e oferta sazonal mais restrita.
Óleos, carnes e laticínios
O índice de óleos vegetais ficou em 198,6 pontos, com alta de 0,9% no mês e de 18,3% na comparação anual. O óleo de palma foi o principal responsável, com demanda de importação firme e clima seco no Sudeste Asiático.
Na direção oposta, o índice de carnes recuou 1,1%, para 127,9 pontos, com oferta exportável abundante e preços menores de carne suína e de frango. O de laticínios caiu 0,1%, para 119,1 pontos: o queijo teve queda, o leite em pó subiu e a manteiga ficou estável.
Perspectiva de oferta
A FAO projeta produção mundial de cereais de 2,98 bilhões de toneladas em 2026, redução de 2,1% sobre o ano anterior. Ainda assim, seria a segunda maior colheita já registrada.
Para fabricantes de alimentos e bebidas, o movimento de açúcar, cereais e óleos vegetais tende a se refletir nos custos de formulação, já que são insumos de uso amplo em produtos como panificados, bebidas, confeitaria e processados.








