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Aproveitamento biotecnológico do soro de queijo

Aproveitamento biotecnológico do soro de queijo

Grande parte do volume dos resíduos gerados pela indústria de laticínios corresponde ao soro de queijo, principal coproduto líquido obtido durante a fabricação dos diferentes tipos de queijo, e que é composto por água e cerca de 50% dos sólidos totais do leite: lactose, proteínas e sais minerais.

O soro de queijo possui grande potencial biotecnológico, principalmente devido a qualidade nutricional e ao valor biológico da sua composição proteica. As proteínas presentes no soro de queijo apresentam aminoácidos essenciais, em concentrações superiores à carne e ao ovo; aminoácidos de cadeia ramificada, relevantes para a formação do tecido muscular; e aminoácidos que contém enxofre, importantes para o metabolismo.

Nesse contexto, a geração de peptídeos é uma das possibilidades de aproveitamento do soro de queijo. Peptídeos são fragmentos proteicos formados por dois a 22 aminoácidos, que se ligam entre si por meio de ligações peptídicas. Os peptídeos são liberados de uma proteína por meio de hidrólise enzimática ou química.

Esse processo pode ser realizado com o uso de enzimas comerciais durante o processo natural de digestão com enzimas gastrintestinais ou por meio de processos fermentativos com microrganismos proteolíticos. A produção de peptídeos com enzimas comerciais é realizada industrialmente para o desenvolvimento de produtos de valor agregado. Esses fragmentos proteicos podem apresentar atividades biológicas que conferem benefícios à saúde humana.

Os biopeptídeos do soro de queijo podem ter diversas atividades biológicas que beneficiam diferentes sistemas do corpo humano, como o imunológico, o cardiovascular, o nervoso e o gastrointestinal. Essas atividades são, principalmente, antioxidante, anti-hipertensiva e antimicrobiana, além de outras, como antidiabética, imunomoduladoras, antitumoral e opióides.

A atividade antioxidante possibilita a conservação natural dos alimentos e diminui o envelhecimento celular do corpo humano causado por processos oxidativos; esses efeitos positivos ocorrem por meio da redução da oxidação lipídica, da eliminação de radicais livres e da inibição de espécies reativas de oxigênio.

Os peptídeos bioativos derivados do soro de queijo possuem diversas bioatividades promissoras para a saúde humana e a garantia da qualidade dos alimentos. O planejamento adequado e ecologicamente correto dos processos, além da redução dos custos, torna-se fundamental para viabilizar a produção em larga escala desses peptídeos.