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Segurança dos alimentos começa antes da análise do produto final, alerta especialista

Segurança dos alimentos começa antes da análise do produto final, alerta especialista

Falhas microbiológicas nem sempre são visíveis na linha de produção, mas podem comprometer a segurança, a estabilidade e o prazo de validade dos alimentos, além de provocar descartes, recolhimentos e prejuízos à reputação das marcas. Em um mercado pressionado por eficiência, redução de custos e exigências regulatórias, especialistas defendem que o controle de qualidade deixe de se concentrar apenas na análise do produto acabado e passe a considerar cientificamente toda a jornada produtiva.

A dimensão do desafio pode ser observada nos dados internacionais. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), 13,2% dos alimentos são perdidos entre a etapa posterior à colheita e a chegada ao varejo. As perdas e o desperdício de alimentos também respondem por uma parcela estimada entre 8% e 10% das emissões globais de gases de efeito estufa. Já os dados mais recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS) estimam que alimentos contaminados estejam relacionados a cerca de 866 milhões de casos de doenças e 1,52 milhão de mortes por ano no mundo.

No Brasil, entre 2007 e 2020, foram notificados, em média, 662 surtos de doenças de transmissão hídrica e alimentar por ano, segundo o Ministério da Saúde. No período, mais de 156 mil pessoas adoeceram, 22,2 mil foram hospitalizadas e 152 morreram. Os próprios órgãos de saúde reconhecem, porém, que a identificação depende da notificação e da investigação dos casos, o que dificulta dimensionar integralmente o problema.

Para o Labtermo, laboratório de análises, pesquisa e consultoria microbiológica que passou a integrar o Grupo PMAN, a prevenção exige uma leitura mais ampla do processo industrial, focada em medidas preventivas e acompanhamento intensivo do processo. Isso inclui avaliar formulação, matérias-primas, combinação do tratamento térmico ou avaliação das medidas de redução da contaminação, avaliação dos equipamentos, condições de envase, higienização, condições do ar no ambiente de envase, embalagem, armazenamento e distribuição.

“Analisar apenas o produto final oferece uma fotografia de um lote específico. A validação permite entender se o processo é suficientemente robusto para entregar segurança e estabilidade de maneira consistente, garantindo e preservando também as características sensoriais e nutricionais do produto. O objetivo não deve ser somente identificar uma contaminação, mas compreender onde está o risco afim de evitar que o problema se repita”, explica a Dra Alessandra Regina da Silva, diretora do Labtermo.

Prazo de validade exige comprovação

A definição da vida útil é um dos pontos que demandam maior qualificação técnica. Em 2025, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária publicou a terceira versão do Guia 16, voltado à determinação do prazo de validade dos alimentos. O documento reforça a necessidade de considerar evidências técnicas e fatores capazes de interferir na segurança e na qualidade do produto ao longo do tempo.

Isso significa que o prazo apresentado na embalagem não deve decorrer apenas de estimativas, referências de produtos semelhantes ou análises pontuais. Estudos de shelf life devem reproduzir, de maneira planejada, as condições às quais o alimento estará exposto, considerando suas características microbiológicas, físico-químicas e sensoriais, a embalagem utilizada e as condições de conservação e distribuição, bem como estudos de shelf life acelerado.

Entre as ferramentas que apoiam esse processo estão os challenge tests, ou testes de desafio. Neles, avalia-se o comportamento de microrganismos, intencionalmente adicionados ao alimento e de importância para ele, diante das características de uma formulação e das condições de armazenamento. Os resultados ajudam a verificar a eficácia de conservantes e de outras barreiras de proteção, além de apoiar decisões sobre reformulação, processamento, embalagem e prazo de validade.

A Microbiologia Preditiva também ganha espaço ao utilizar modelos matemáticos para estimar como os microrganismos podem se comportar diante de variáveis como temperatura, acidez, atividade de água e composição do alimento. Esses modelos não substituem as análises experimentais, mas ajudam a antecipar cenários, orientar protocolos e tornar o desenvolvimento mais eficiente.

Cinco frentes que exigem atenção da indústria

Na avaliação do Labtermo, cinco pontos devem ganhar prioridade nos programas de segurança e qualidade:

  • Validar os processos térmicos: é necessário comprovar se tempo e temperatura são adequados para a inativação dos microrganismos “alvos” do processo, garantindo a manutenção das características dos produto, avaliar condições de embalagem e a própria embalagem.
  • Mapear a distribuição de temperatura: equipamentos e ambientes podem apresentar zonas frias ou pontos de maior risco que não são identificados pelo acompanhamento de um único sensor.
  • Comprovar a eficácia da higienização: protocolos de limpeza e sanitização precisam ser validados nas condições reais da fábrica, considerando equipamentos, superfícies e microrganismos relevantes.
  • Determinar cientificamente a vida útil: o prazo de validade deve se basear em estudos que considerem segurança, estabilidade, embalagem, armazenamento e distribuição.
  • Investigar a causa das falhas: diante de contaminações ou alterações recorrentes, a indústria precisa avançar da constatação do problema para a identificação de sua origem, para a revisão do processo e solução.

“O controle microbiológico precisa ser integrado ao desenvolvimento do produto e à engenharia do processo. Quando essa avaliação acontece apenas no final, a empresa pode descobrir tarde demais que uma formulação, uma etapa térmica ou uma condição de higienização não entrega a segurança esperada”, acrescenta Dra Alessandra.

Ciência aplicada à operação industrial

Fundada em 1982 no Departamento de Ciência de Alimentos da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp, o Labtermo atua com ensaios microbiológicos, validações físicas e biológicas de processos, estudos de vida útil, challenge tests, microbiologia preditiva, avaliação de produtos e embalagens, validação de higienização e treinamentos técnicos.

O laboratório conta com infraestrutura própria em Campinas (SP), destinada a análises microbiológicas e estudos experimentais, além de equipamentos para aquisição de dados e um núcleo de biologia molecular. Sua atuação inclui alimentos termoprocessados, como bebidas, laticínios, vegetais, carnes e derivados, além de produtos farmacêuticos, cosméticos e setores correlatos.

Desde 2026, o Labtermo integra o Grupo PMAN. A combinação aproxima o conhecimento científico do laboratório da experiência do grupo em ingredientes, formulações, equipamentos, engenharia de aplicação e processos industriais. Com isso, as empresas passam a oferecer uma abordagem integrada, capaz de apoiar a indústria desde o desenvolvimento do produto até a validação de sua segurança e estabilidade.

“Nosso propósito é fazer com que o conhecimento técnico chegue à operação e se transforme em processos mais seguros, eficientes e consistentes. A integração com o Labtermo amplia a capacidade do Grupo PMAN de investigar problemas, desenvolver soluções e acompanhar sua aplicação dentro da indústria”, afirma Paulo Cavalcante, CEO do Grupo PMAN.

Sobre a PMAN

Com 30 anos de atuação, a PMAN é referência brasileira em soluções tecnológicas para a indústria de panificação, especializada em segurança alimentar e extensão de shelf life. Unindo engenharia de processos e rigor científico, a empresa destaca-se por oferecer suporte técnico e capacitação para que as indústrias operem com total segurança, transparência e conformidade, protegendo a confiança do consumidor final.