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Os adoçantes artificiais podem nos impedir de ganhar peso? Sim... e não

Os substitutos do açúcar podem ajudar a evitar o ganho de peso, mas têm efeitos metabólicos que alguns especialistas consideram preocupantes.

Ao oferecer um sabor doce sem calorias, os adoçantes artificiais parecem ser uma resposta para uma perda de peso eficaz. Parece ser a salvação dos gordinhos e obesos. Uma lata média de refrigerante fornece cerca de 150 calorias, quase todas elas provenientes do açúcar. A mesma quantidade de refrigerante, na versão diet, tem zero calorias. A escolha parece óbvia. A AHA - American Heart Association (hearth.org) - e a ADA - American Diabetes Association (diabetes.org) - acenaram com cautela par o uso de adoçantes artificiais no lugar do açúcar para combater a obesidade, o diabetes e outros fatores de risco para doenças cardíacas.

Não são soluções mágicas, e o uso inteligente de adoçantes não nutritivos pode realmente ajudar a reduzir os açúcares adicionados na dieta, diminuindo, assim, o número de calorias ingeridas. Reduzir as calorias pode ajudar a atingir e manter um peso corporal saudável e, assim, diminuir o risco de doenças cardíacas e diabetes. Porém, há mais na história do adoçante artificial do que seu efeito no peso.

Sim, eles prometem satisfazer a vontade de comer doces sem a desvantagem do excesso de calorias, e são cada vez mais usados em uma grande variedade de alimentos e bebidas. Mas, se usá-los pode prevenir o ganho de peso - um problema contra o qual muitas pessoas estão lutando durante os blackouts impostos pelo Coronavírus - é uma questão que continua em aberto.

Novos estudos estão fornecendo algumas respostas interessantes. Os pesquisadores descobriram que os adoçantes artificiais podem ser úteis como uma ferramenta para ajudar as pessoas a “abandonar seus hábitos com o açúcar” e que, para algumas pessoas, substituir o açúcar por adoçantes não nutritivos pode realmente ajudar a evitar o ganho de peso. Ótimo! Mas eles também podem ter efeitos sobre os hormônios, açúcar no sangue e outros aspectos do metabolismo que alguns especialistas consideram como sendo preocupantes; os mesmos alertam contra consumi-los rotineiramente por longos períodos de tempo.

O conceito do qual precisamos nos livrar é que, como eles têm zero calorias, eles têm zero efeitos metabólicos”, disse a Dra. Marta Yanina Pepino*. “Nossos dados sugerem que eles são metabolicamente ativos e, dependendo da frequência com a qual são usados, em algumas pessoas podem ter mais efeitos do que em outras”.

As compras de alimentos e bebidas contendo substitutos do açúcar aumentaram à medida que os consumidores preocupados com a saúde diminuíram o consumo de açúcar. Na dieta norte-americana, as bebidas dietéticas são a maior fonte desses adoçantes. Entre os substitutos do açúcar mais populares estão a sucralose, também conhecida como Splenda, e o aspartame, encontrado na Diet Coke, Diet Pepsi e em milhares de outros alimentos. A estévia, um extrato vegetal sem calorias comercializado como natural, também é amplamente utilizada em muitos produtos como substituto do açúcar.

Em um relatório publicado recentemente no Journal of the American Heart Association, pesquisadores do Boston Children’s Hospital estudaram o que aconteceu quando tradicionais bebedores de refrigerantes passaram a beber água ou bebidas adoçadas artificialmente. Os pesquisadores recrutaram 203 adultos que consumiam pelo menos uma bebida açucarada por dia; apenas alguns deles estavam acima do peso.

A amostra de 203 adultos foi dividida em três grupos. Um grupo passou a consumir bebidas adoçadas artificialmente, como Diet Coke e Diet Pepsi, substituindo, assim, as bebidas tradicionais com açúcar. Outro grupo recebeu remessas de água pura e com gás. Um terceiro grupo, servindo como controle, continuou seu padrão normal de ingestão de bebidas açucaradas.

Depois de acompanhar os grupos por um ano, os pesquisadores não encontraram nenhuma diferença geral no ganho de peso ou em outros marcadores de saúde metabólica, como alterações nos níveis de colesterol ou triglicerídeos. Mas quando eles olharam especificamente para as pessoas com altos níveis de obesidade abdominal, os resultados foram surpreendentes.

As pessoas carregando um elevado peso abdominal - um importante fator de risco para doenças metabólicas - tiveram um ganho de peso significativamente menor quando mudaram de bebidas açucaradas para bebidas dietéticas ou água. Nesse grupo, aqueles que beberam bebidas dietéticas ganharam cerca de meio quilo durante o estudo, enquanto aqueles que mudaram para a água perderam cerca de meio quilo. Mas as pessoas com altos níveis de gordura abdominal que continuaram a beber bebidas açucaradas ganharam em média 4,5 quilos.

Essa é uma observação extremamente significativa”, disse o Dr. David Ludwig*, autor do estudo e codiretor da New Balance Foundation Obesity Prevention Centre, no Boston Children’s Hospital.

O Dr. Ludwig teorizou que as pessoas que carregam muita gordura abdominal podem se beneficiar mais com a substituição de bebidas açucaradas por bebidas dietéticas ou água porque secretam mais insulina, um hormônio que promove o armazenamento de gordura, em resposta ao açúcar. “Alguém que é magro pode não ser tão sensível ao açúcar”, disse ele.

O debate sobre o impacto dos adoçantes artificiais na saúde e no peso corporal vem ocorrendo há décadas. Algumas das primeiras preocupações foram provocadas por pesquisas com animais na década de 1970, que sugeriam que adoçantes artificiais poderiam causar câncer. Mas estudos posteriores em humanos contestaram essas afirmações e a American Cancer Society (cancer.org), que revisou as evidências em 2016, entre outros grupos, afirmou que não há evidências claras de uma ligação entre adoçantes de baixa caloria e câncer em humanos.

O impacto dos adoçantes artificiais no peso corporal é controverso. Ao longo dos anos, alguns estudos observacionais descobriram que as pessoas que consomem muitas bebidas dietéticas têm um risco maior de obesidade, sugerindo que os adoçantes artificiais podem alimentar - em vez de prevenir - o ganho de peso. Mas os estudos observacionais podem mostrar apenas correlações, não causa e efeito. A causalidade reversa pode ser um fator, já que as pessoas com maior probabilidade de usar adoçantes artificiais podem ganhar peso por uma série de razões, como outros fatores dietéticos e falta de exercícios.

Ensaios clínicos randomizados, que são mais confiáveis, geralmente mostraram que os adoçantes dietéticos ajudam a prevenir o ganho de peso. Um ensaio clínico publicado no New England Journal of Medicine descobriu que quando crianças que consumiam bebidas açucaradas foram designadas a beber bebidas adoçadas artificialmente, elas tiveram menos ganho de peso e acúmulo de gordura após 18 meses, do que crianças que continuaram a beber bebidas açucaradas.

Outro ensaio clínico liderado por pesquisadores da University of North Carolina, em Chapel Hill, NC, descobriu que adultos com sobrepeso e obesos que foram instruídos a desistir de bebidas açucaradas, por água ou bebidas adoçadas com baixas calorias, por seis meses, perderam uma média de 2% a 2,5% do seu peso corporal. Mas o grupo que mudou para água mostrou melhorias significativas em seus níveis de açúcar no sangue, um fator de risco para diabetes, enquanto o grupo que usou adoçantes de baixa caloria não.

O último estudo do Dr. Ludwig e seus colegas está entre os mais rigorosos sobre o assunto até hoje. Suas descobertas apoiam o conselho emitido por grupos de saúde, como a American Heart Association, que em 2018 publicou um parecer científico afirmando que o uso de bebidas adoçadas com baixas calorias pode ser uma estratégia eficaz para perder peso, especialmente para pessoas que são consumidores habituais de bebidas açucaradas, as quais são a maior fonte de açúcares adicionados na dieta americana.

Mas, a American Heart Association, também alertou que havia uma “escassez de evidências sobre os potenciais efeitos adversos” dos adoçantes. Apesar de décadas de uso generalizado, ainda não está claro se consumir pesadamente por muitos anos pode ter efeitos adversos indesejados à saúde. Mais ainda, considerando que eles não são todos iguais. No ano passado, cientistas da Purgue University publicaram os resultados de um ensaio clínico que comparou os efeitos do açúcar e quatro diferentes adoçantes de baixa caloria no ganho de peso em adultos com sobrepeso e obesos.

Os grupos que ingeriram bebidas contendo sucralose, aspartame ou Reb-A, um derivado da estévia, viram poucas mudanças em seu peso. Mas as pessoas que consumiram bebidas adoçadas com açúcar ou sacarina experimentaram um "aumento significativo do peso corporal" após três meses.

Não está claro por que a sacarina teve um efeito tão pronunciado no ganho de peso. Mas os adoçantes não nutritivos, que podem ser centenas de vezes mais doces do que o açúcar, parecem fazer mais do que apenas ativar os receptores gustativos na língua. Alguns estudos descobriram que eles podem estimular mudanças deletérias na microbiota intestinal, interromper o controle de açúcar no sangue e influenciar os níveis de insulina. Também há evidências de que podem promover uma preferência por alimentos intensamente doces.

A Dra. Pepino*, da University of Illinois em Urbana-Champaign, IL, descobriu em sua pesquisa que pessoas obesas se tornaram mais resistentes à insulina depois de beber uma bebida contendo sucralose, em comparação com quando bebiam apenas água. Outros estudos clínicos descobriram que o consumo de sucralose também promoveu resistência à insulina, um precursor do diabetes, em pessoas com peso normal.

O Dr. Robert Lustig* disse que os adoçantes artificiais confundem o corpo: seus sabores doces enviam um sinal para o cérebro e o sistema digestivo se prepara para receber uma enxurrada de açúcar. Mas quando essas calorias nunca chegam, isso pode fazer com que hormônios, como a insulina, fiquem fora de controle, levando ao longo do tempo a disfunção metabólica, disse ele.

"Em resumo, os adoçantes artificiais provavelmente são melhores do que o açúcar, mas não muito", disse o Dr. Lustig.

A Dra. Pepino explicou que por milhares de anos os humanos viveram em um mundo onde sabores intensamente doces eram raros e que eles se tornaram uma dica para o corpo regular os níveis de açúcar no sangue. Ela aconselha as pessoas a considerarem a doçura, em qualquer forma, como uma guloseima. “A doçura deve ser consumida com moderação, independentemente de conter calorias ou não”, disse ela.




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