CAFÉ registra a maior alta na cesta básica brasileira
Data de publicação: 02/02/2026
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O setor cafeeiro encerrou 2025 consolidando o café como o item de maior valorização na cesta básica brasileira, conforme levantamento recente da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic). O cenário, impulsionado por uma combinação de fatores climáticos adversos e tensões comerciais globais, resultou em um crescimento de 25,6% no faturamento da indústria de café torrado, atingindo a marca de R$ 46,24 bilhões.
A disparidade entre o custo da matéria-prima e o valor repassado ao consumidor final evidencia o desafio operacional das indústrias. Entre 2021 e 2025, enquanto o preço do café arábica — principal variedade comercial — saltou 212% devido a geadas e secas severas, o repasse nas gôndolas foi de 116%.
Segundo a Abic, a indústria absorveu parte significativa dessa volatilidade. Se o repasse de custos acumulados fosse integral, os preços ao consumidor poderiam ser até 70% superiores aos atuais. Essa pressão inflacionária refletiu em uma retração de 2,31% no consumo em 2025, embora o mercado brasileiro demonstre alta fidelidade ao produto, mantendo volumes globais estáveis apesar do ticket médio elevado.
Quatro pilares fundamentais sustentaram a alta dos preços no último ano, incluindo a imposição da tarifa de 50% pelos EUA sobre o café brasileiro, os fatores climáticos extremos nas lavouras de arábica, e ainda o déficit de estoques.
Para o ciclo de 2026, as projeções são de otimismo moderado. A atuação do fenômeno La Niña com menor intensidade favoreceu o regime hídrico nas áreas produtoras, sinalizando uma safra robusta. No entanto, a indústria alerta que uma queda real nos preços depende da sucessão de pelo menos dois ciclos positivos para a recomposição das reservas técnicas.
No segmento de maior valor agregado, observa-se uma dinâmica distinta. O café em cápsulas apresentou uma redução de 13,2% em dezembro de 2025 frente a novembro, reflexo de acordos comerciais estratégicos e da variação na proporção de café por unidade comercializada, que permite uma gestão de custos mais ágil diante da queda nas cotações de variedades como o robusta.